Escravo do ator
- 10 de out. de 2016
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De volta a Cassavetes on Cassavetes, agora ao instante em ele fala de parte do processo pouco ortodoxo de Faces (1968), e que no fundo era sua forma de trabalhar em todos os filmes.
“Eu só acho que você dá a alguém algo que ele possa fazer, e permite que ele seja uma pessoa. Eu só tento remover as responsabilidades técnicas, para que a pessoa não perceba que está sendo fotografada. Pela primeira vez, eu vi atores sem serem marcados ou indicados para onde ir. Eles não eram encenados. Eles tinham seus personagens, interpretavam, e nós os filmávamos da forma que eles estivessem fazendo, e não insistindo no que fosse melhor para a câmera. (...) Isso é o importante. Às vezes, nós filmávamos quando a luz não estava pronta. Não era uma questão de se o operador queria ou não usar câmera na mão. Ele não tinha tempo de preparar tudo. Os atores estavam começando e ele tinha que começar a filmar. Nós filmávamos sempre que os atores estivessem prontos, nós éramos escravos deles. A filmagem consiste apenas em filmar o que eles fizeram. Nós nos colocamos completamente à disposição deles”.
O resultado?
Um filme que teve um primeiro corte de oito horas. Que teve uma cena filmada com duas câmeras, repetida 52 vezes, e que acabou descartada. Que teve toda a equipe trabalhando em troca de percentual da receita, sem cachê. E que, cinco anos depois de gestado, virou uma obra-prima.

Ps: Perdão a John Marley (lembram do cavalo em O Poderoso Chefão?), Seymour Cassel e especialmente Cassavetes. Todos eles têm seus méritos, mas pensar em Faces (1968) é pensar em Lynn Carlin e Gena Rowlands.
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