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De Palma roteirista

  • 27 de jul. de 2016
  • 2 min de leitura

Carrie (1976), Scarface (1983), Os Intocáveis (1987) e O Pagamento Final (1993) são só algumas das obras-primas de Brian De Palma, mas revendo Um Tiro na Noite (1981) me perguntei: por que, mesmo dentro dos entusiastas dele, parece se falar tão pouco do De Palma roteirista?


Ele é o autor da história ou do roteiro de quase a metade dos seus filmes. De cabeça, lembro do ótimo Trágica Obsessão (1976), cuja história original é dele, co-escrito com Paul Schrader e remete a Sófocles, mas o que de narrativa não tem, de uma forma ou de outra, origem grega?


Para nem falar do De Palma em início de carreira, gosto muito de Femme Fatale (2002) de Vestida para Matar (1980) e de Dublê de Corpo (1984), muitas vezes visto como plágio de Hitchcock, quando o filme vai muito além. Escrevo isso sem ironia e com admiração, mas por que Tarantino e sua genialidade de encenador-liquidificador são absolvidos, enquanto De Palma vai, na melhor das hipóteses, para o limbo dos copiadores e dos maneiristas?


De forma semelhante, Um Tiro na Noite (Blow Out, 1981) se relaciona diretamente com Depois daquele beijo (Blow Up, 1966) desde o título original, só que é relido (spoilers a partir daqui).


Em Um Tiro na Noite, De Palma vê o filme de Antonioni menos com reverência que como uma referência apenas inicial, troca o existencialismo pela tragédia, a obra-aberta pelo arco completo, sem jamais deixar de lado o que ele é: um grande encenador.


Uma história que flui e retorna sem parecer esquemática, um drama que torna desfecho natural ao mesmo tempo em que o esconde. É inevitável sentir a dor de Travolta com um grito e o trabalho que jamais serão os mesmos.


De Palma é um diretor enorme que também pode ser um roteirista equivalente, e Um Tiro na Noite é uma obra-prima. Que ainda tem a música de Pino Donaggio, que Tarantino usou em À Prova de Morte (2007).

 
 
 

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